Saudade
Aí eu disse 'estou bem', mas será mesmo? Fui olhar um album de fotos, não pude conter as lágrimas. Lá estavão os últimos registros da vida que se foi. Por mais que pensemos que a morte veio para melhor, as vezes isso só serve para amenizar nossa própria dor. A dor de não mais ver uma pessoa querida, de nunca mais abraçá-la ou beijar-lhe a face. E como é triste ver a face inanimada. Não tive coragem de tocar-lhe a face sem vida, vô. Não poderia conter a tristeza de tocar-lhe o corpo frio. Depois, amenizamos o sofrimento falando de outras coisas. Mas a familia reunida sente sua falta. Teu olhar a acompanhar a conversa, a fitar nossos rostos. São tantos rostos tristes, lagrimas. As faces brancas vermelhas. Lamentos. E tantas flores. Abraços tristes. Consolo. Amparo. Olhos que difarçam para amparar alguem mais abalado. Lenços. E o olhar que fita até o final. O primeiro irmão, o pai, marido, avô que vai. Para ele, a libertação de uma vida que já não era mais. àra quem fica, a tristeza da separação, da perda subita, não propriamente inesperada, mas não anunciada. Subita. Não sem dores prévias para ambos os lados. Segue-se a vida, para ambos os lados, acredito. E por aqui ainda restam grandes desafios pela frente, até que venham possíveis reencontros e novas perdas.
Escrito por Bru Buzzo às 21h06
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